UM 2012 DE OLHOS FIRMES NO FUTURO

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QUE EU VIM DE LONGE, DE MUITO LONGE...
O QUE EU ANDEI PARA AQUI CHEGAR...
EU VOU PARA LONGE
PARA MUITO LONGE



sou do tamanho do meu sonho
o meu passo é destemido
o meu gesto - agora - é dar
a justeza de cada dia ao largo horizonte do mar


Com um forte abraço, 
Teresa Tudela.
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mensagem de natal

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não me parece muito prático eleger uma data que poderá até ser apenas teórica
a palavra “crer” não tem preferência por dias meses ou anos

porque somos seres inquietos e apaixonados
todas as estações nos servem para partir

com o desassossego
de regressar à palavra “amigo”





um grande abraço na preguiça

josé peixoto
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Natal é só natal

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Querida Maria Gabriela,
minha Irmã,


o primeiro poema

a primeira vez que soube o que era um poema
foi num natal. deram-me uma boneca
dei-lhe banho. desfez-se em mil pedaços de papel
na água gravei a minha primeira lágrima
só mais tarde compreendi que
o poema é uma mentira que se chora verdade
na alma


maria azenha
2011- dez- 21- Lisboa
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HÁ UM NATAL

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Gabriela

Para que não fiques a pensar que isto é tudo um mar de rosas, aí vai um poema de Natal (triste como os outros):

Há um Natal perdido
em cada um de nós
o lume aceso na lareira
a conversa dos adultos
a geada lá fora

e a morte deslizando
sobre o gelo
onde a memória
é mais frágil
e os dedos apontam
na direcção errada.

Apetece fugir
e ninguém foge
só o tempo arrefece
e é sempre cedo
se a palavra é apenas
a chama que morre.

.........................Luís Serrano
.........................21 de dezembro de 2011
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"Desilusão de Judas"

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-para o António Ganhão,
algumas palavras sentidas ,escritas e ditas ao en tard'ser



serei ,neste fim de tarde frio ,de fim de outono ou quase princípio de inverno ,por razões diversas ,brevíssima ,neste meu falar sobre o António Ganhão e o seu livro “A Desilusão de Judas” .sê.lo.ei, primeiro ,porque coube e muito bem ,ao José Luís Outono apresentar a obra .mas ,eu fui uma das suas primeiras leitoras e o leitor ,antes de mais ,escreve para que seja possível .o quê?

a leitura ,claro!....

e será que eu ,rendida leitora de “A Desilusão de Judas” ,de António Ganhão ,conseguirei premeditar todos os nomes de depois da morte? sim ,porque ,para além da narrativa ,há ,sempre ,um pouco de morte em todos os que escrevem e em todos os que lêem ,sem que nada de mórbido prevaleça nesta minha afirmação .pelo contrário ,é no instante preciso em que o pouco do António que morre em “A Desilusão de Judas” ,que eu – sua leitora – o absorvo ,para ,depois o reEscrever ,perfeitamente ciente que as suas palavras ,arquivadas num pequeno bloco de notas ,de capa preta ,me foram servidas como um bálsamo ,um vinho raro ,intenso ,frutado e ,de quando em vez ,irado .momentos houve em que ,plenamente consciente ,deixei “o cálice tombar vazio sobre a mesa” ( Capítulo I ,p. 11 ) ,a fim de regressar a essa esquiva felicidade que a leitura de um bom livro ,sempre ,me reserva

é ,por isso ,António ,que teimo em escrever.te ,apenas ,um nada mais ,para ,logo de seguida , me quedar ao silêncio ,já que ”A Desilusão de Judas” foi ,é e será ,o instante absoluto – irrepetível – do reencontro fugaz com as coisas boas da vida: a essência.

assim ,à laia de cumplicidade ( pelo dito e não dito ) ,aqui fica o desaforo -

- coisa terrível esta de escrever!!!!!!!!!!!!....



15 de dezembro de 2011,
Gabriela Rocha Martins.


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Apresentação da IV Antologia dos Poetas Lusófonos

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( Da esquerda para a direita - Arménio Vasconcelos ,Rui Matos ,da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais de Leiria ,e ,Adélio Amaro ,da Folheto & Edições ,Lda )




-às vezes sou um sim
às vezes não
8 fevereiro 2011



sob as arcadas de pedra
da catedral de Saint Denis
desafiam.se os tumultos circundando
o teu corpo
oscilam os meus olhos à procura de um vulto mas
a densidade própria da matéria
dissipa.se no zimbro que envolve as gárgulas
levas.me na confusão do cigarro que não fumas
como se o rasto e o cheiro fossem um pouco mais
de ti........ solto........ trazes.me o silêncio dos búzios
por entre os andaimes da chuva que teima em
cair vasculhando a manhã........ três pingos molham o
meu rosto........ recolho.os como restos de outras
névoas e no silêncio incorpóreo que te resguarda
retenho.me num outro templo ou nas
pinceladas........ brevíssimas........ que ouso sobre a tela
às vezes
deixo.te fluir pela página virgem que
se detém a meu lado
outras
solto.te por entre as víboras que
adormecem junto à fonte........ sincera mente
não sei porque te habito entre os crivos da terra e
os sulcos das marés
não sei........ mas sei porque te exibo em tatuagem

ousam.se dos amantes as memórias



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-sem explicação aparente
29 março 2011




hoje
decido.me pela não abertura da carta

fazê.lo seria confundir um desejo muito forte de
não presença com a necessidade de dizer sim ao
pessimismo que me assiste qual anátema de algo
que não desejo ler........ muito menos antever
sei que o meu córtex cerebral esquerdo riscou
relações com o direito
impossibilitando que o ninho dos pássaros azuis
brancos........ ou de plumagem vária
se confunda com o endereço inscrito
do mesmo modo que
não me imagino abrindo e fechando envelopes
como uma mera máquina trituradora de papéis usados
gostaria........ isso sim........ de apostar um selo sob as letras
imaginadas em desvario porquanto lambidas demais
mas decido.me pela não leitura -
ateimo
- porque fazê.lo seria assumir.me como a meretriz do verbo
o assassino da escrita ou

o chulo da palavra que se balda no parágrafo seguinte



( Assistência )
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IV Antologia dos Poetas Lusófonos

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-o silêncio é d'ouro
14 de janeiro 2011



ousam.se os cânticos........ as danças -
a polca o minueto a quadrilha a valsa -
como passagens fotográficas de
divas de outras eras........ exaltações de tempos
onde o verbo se construiu em rastos tão
longevos como a ampulheta que ainda
hoje foi ontem........ nos sonhos prescritos há
caudais de água e naufrágios de barcos
prontos a azular
tolhados pelas linhas que no horizonte fazem
tábua rasa........ um minúsculo aracnídeo
oscila entre o regresso ao nada que
a mente do poeta
fabulou e o fruto maduro que medra
na haste por onde deslizam as vozes que
clamam vingança

-serve.se fria

em pequeníssimas
doses que circulam
ímpias
no espaço dividido entre o muito o pouco e
o nada como se este se antecipasse ao ritmo
do vento semeado a esmo
neste refúgio incómodo que se antecipa ao
silêncio
ao meu silêncio........ ensaio de raiva
fonte de outono ou alvoroço de
inverno........ alimentados pelo tumulto da lava

queda.se o verbo
travestido em âmbar


-que sabeis vós da minha indiferença?


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-retratos de uma cidade
25 janeiro 2011




centímetro a centímetro engrossam
as palavras........ breves........ átonas e
dissonantes presas a caudais de lava que
escorrem sobre as barrigas de textos
prontos à desova........ são peixes
mortos que engrossam as correntes ou
poluem as margens de monografias prenhes
de palavras vãs
esgotam.se as iluminuras e as vestes dos
lobos que em alcateia descem sobre a
cidade abocanhando o frio da noite

há esgares de morte nos passeios e

os sem abrigo deixam rastos de sangue
nas traseiras das casas por onde escorrem
fios de água........ rubra........ como a baba que des
ce pelos meus textos
vejo.os encolhidos no silêncio........ ou encobertos
num vão de escada onde o poema incompleto
absorve o abandono........ impressos na folha de jornal
que lhes serve de mortalha

acresço uma linha aos fragmentos nocturnos e

três degraus........ ao fumo........ que lhes reserva
a memória

será que a consciência pesa?



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Se lo dije à la noche

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INSÓLITO ASSOMO

Ser o mar, o que agora lambe a tua mão,
que se balança no arco de teu braço;
tocar dócil os teus dedos, levar-me
para dentro dos teus ciprestes dourados.

Não há desgosto, nenhum motivo, é um pretexto,
uma provocação, quero ser o mar
sobre a rocha que mais perto estivesse de ti,
para cobrir-me de chuva com sabor a baixel
e cair sobre os teus risos que acorrem ao seu abrigo.

Poder sentir-te uma vez mais, como outrora,
quando nas nossas bocas nos exilávamos, muito ocultos;
regressar à insónia do desejo,
morada de suspiros, muito juntos.

E se o teu passeio esculpido
pelo meu tacto salobre se retirasse,
claro está, de brisa
me vestiria para ir preso
à tua mão, e o meu corpo, então,
etéreo, em silêncio, à saga dos teus dias,
de modo algum suscitasse dúvidas
sobre quem te acompanhava, nunca.


traducido al portugués por la Embaixada de Portugal em Madrid (Asuntos Culturales)

poema dito por mim e que incorpora o poemário ( livro e CD ) do poeta catalão Juan Carlos García Hoyuelos .editado em 2011 ,em Burgos
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Ode para Mário Curvello

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.....................................................................Para ti, Gabriela


Não, Mário, não escrevo epicédio
porque para mim tu não morreste
escrevo ode para cantar
tua memória
da forma mais solene e mais sublime que eu souber
Nem Píndaro, Alceu ou Safo
ou Esculápio e Horácio
te cantariam melhor
pois nunca morrerás enquanto eu viver
meu deserdado da sorte e da vida
e agora deserdado do Ser
Estou cada vez
mais órfão do mundo
e agora sem ti
meu mestre paulistano
com quem falarei sobre os segredos
da portuguesa língua?
Do nosso amor comum?
Após uma conferência minha
um universitário brasiliero
contou-me do sucedido
estivera no teu velório
O quê? Tu morreste, Mário?
Assim, sem me dizer nada?
O teu blogue provou
à saciedade
não sei se a alguma sociedade
que terás uma quota-parte
de eternidade no meu coração
meu irmão longínquo das terras do café
do ABC paulista e do baião de dois
feijão com arroz arroz com feijão
meu especialista de Seu Machadão
E com quem estarão teus filhos
berlinenses ou outros?
com suas mães certamente
Tempus fugit e nós
ficamos por aqui e para aqui
aparvalhados
Recordo tua sorte
junto das mullheres jovens
com teu charme malicioso
teu ar sereno e bondoso
tua sabedoria, meu mestre!
Gostavas do Alentejo das rendas
meu paulista baiano!
Lamento o bacalhu prometido
que nunca chegou ao prato
Puxa a vida, Mário,
telefonei-te e já ninguém responde
Se ao menos tivesses sido
presidente do teu País
(tal como teu aluno Lula)
O mundo mudaria espantado
contigo aos microfones
das Nações Desunidas
Mas, pronto, Mário, foste
embora sem me dizer nada, bicho.
E agora que já és cinza
e a vida uma foda com PH
a que porto aportarão
nossas conversas infinitas?
O amor da minha vida
que traí e não traí
estás a ver, Mário,
o conceito de realismo
o que é ficção ou realidade
o amor da minha vida,
dizia-te, tornou-se inatingível
na Lisboa que tu amavas.
E quando te morreu
aquele filho no Rio?
E eu sem saber
como te consolar, meu irmão?
Já lá vão nao sei quantos
dias do teu passamento
e eu aqui ando sem ti
só contigo em pensamento
meu director de campanhas
viagens, comícios, encontros
quilometragem, cidades,
e agora, onde estamos agora, Mário?

Luciano Caetano da Rosa
( Colónia, 19 de Fevereiro de 2011 )